Mensagem Final de Encerramento do Convent Junho 2025 (e.v.)

Meus Queridos Irmãos em todos os Graus e Qualidades

Hoje, ao abrirmos os nossos trabalhos sob o olhar simbólico do Oriente e à luz que dele emana, convido-vos à reflexão sobre a essência e a missão do Rito que nos reúne hoje neste Convent: o Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim, além dos outros Ritos que praticamos na nossa Augusta Ordem.

Este Rito, que tanto nos inspira, é o fruto luminoso da união de duas tradições iniciáticas: o Rito de Memphis, ancorado nas areias do Egito milenar e nos mistérios de Ísis e Osíris, e o Rito de Misraïm, herdeiro da Cabala hebraica e das chamas do Verbo. A sua fusão, longe de ser mero gesto administrativo, foi e continua a ser um ato espiritual de profunda transcendência: a reconciliação simbólica entre duas culturas que ao longo dos tempos tantas vezes se enfrentaram na história profana, mas que se encontram aqui, neste Templo, como irmãs gémeas.

É essa reconciliação que dá ao nosso Rito uma vocação universal. Pois nele, Egito e Israel dialogam num só espírito iniciático. Nele aprendemos que os símbolos não dividem, mas revelam; que o mistério não separa, mas aproxima; que o Outro não é ameaça, mas o espelho.

Num mundo tão marcado pela guerra, pelo ruído das intolerâncias e pelo medo do diferente, Memphis-Misraim é, para nós, mais do que um Rito: é uma resposta iniciática à fragmentação do nosso tempo. É um espaço onde se escutam tanto os ecos de Karnak como os cânticos da Árvore da Vida. Onde se estuda a Luz, não para possuir, mas para partilhar. Onde se constrói um Templo no qual todas as pedras, egípcias, hebraicas, helénicas, sufis, orientais, encontram o seu lugar.

MM:.QQ:.II:., cada grau que percorremos neste caminho é um convite a mergulhar nas profundezas da Tradição e a elevar-nos rumo ao que há de mais alto em nós. Não basta memorizar os rituais. Somos desafiados a encarná-los. A permitir que cada símbolo nos transforme, nos alargue a consciência, nos reconcilie com o que esquecemos em nós e no mundo.

E hoje, isto é um gesto revolucionário. Porque enquanto lá fora se erguem fronteiras, nós construímos pontes. Enquanto se alimentam os extremos, nós procuramos o meio. E enquanto muitos buscam o poder sobre os outros, nós procuramos o poder sobre nós mesmos.

Que o nosso trabalho, portanto, seja fiel à Tradição, mas não escravo do passado. Que sejamos capazes de escutar os antigos mistérios com o coração de hoje. Que sejamos, como nos ensina este Rito, alquimistas da alma e artífices da concórdia.

Porque, MM:.QQ:.II::, Memphis-Misraim não é apenas um arquivo esotérico. É uma Chama Viva. E cada um de nós é o seu guardião. Que o Grande Arquiteto do Universo continue a guiar os nossos passos na senda da Luz, da Fraternidade e da Verdade. E que no fim do caminho possamos dizer: caminhámos com coragem e soubemos unir onde outros dividiram.

Disse.

Amadeu Alves.
Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica de Portugal

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