Aliança Maçónica Europeia

A Aliança Maçónica Europeia (AME) trabalha com mais de 30 obediências provenientes de 16 países europeus (Áustria, Bélgica, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Polónia, Portugal, Roménia, Suíça e Turquia – Convidados: Alemanha e Hungria) com o objetivo de representar junto da União Europeia, os valores defendidos pela Franco-Maçonaria Liberal.

Estes valores foram herdados do espírito do Iluminismo do século XVIII, ou seja, de um período da nossa civilização onde, sem ignorar uma dimensão espiritual, foram expressas a fé no perfecionismo do ser humano, a promessa da sua capacidade em fazer progredir o mundo para um futuro melhor do que o passado, mais livre e mais igual e a convicção que esta capacidade está diretamente ligada à possibilidade de se servir da razão («suprema faculdade do homem» segundo Voltaire.)

A franco-maçonaria liberal, corrente na qual se inscreve a AME, define-se como sendo adogmática, o que significa que não impõe nenhuma crença aos seus membros porque ela promove a liberdade de consciência, o livre-arbítrio e o espírito crítico.

Não somos nem uma religião nem uma seita nem um partido político. As obediências da AME são compostas por membros que escolhem refletir e promover os mais altos valores morais de uma forma progressista liberta de modelos de pensamentos recebidos ou de movidos por ideologias do momento.

Estamos imbuídos de ideais de democracia, de fraternidade, de igualdade de direitos para todos os seres humanos e do direito de cada um à dignidade humana.

Façamos nossa a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, a Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais de 1950 e a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia de 2000. Rejeitamos todo o tipo de discriminação e forma de obstar a liberdade de expressão qualquer que seja o domínio.

Defendemos o princípio de uma «laicidade europeia» o que implica uma independência estreitíssima das instituições europeias com as igrejas e organizações filosóficas. Consideramos que as convicções filosóficas ou religiosas são do foro privado e não podem ser impostas.

Independência, mas não ignorância e felicitamo-nos pelo Diálogo instaurado no Artigo 17º do Tratado de Lisboa entre as Instâncias europeias, as igrejas, as organizações filosóficas e não confessionais. Situamo-nos, plenamente, no contexto deste artigo procurando torná-lo mais eficiente.

Queremos, assim, trazer as nossas reflexões nos debates que aludem à construção da Europa. É com este objetivo que nos definimos como «um centro de ligação, de observação e de estudos, a fim de aperfeiçoar a ação comum dos nossos membros, face à União Europeia, aos Estados Membros e a qualquer instituição europeia.» Concretamente, organizamos sessões de trabalho sobre temas como: educação, democracia, cidadania, diálogo intelectual, desigualdades, inovação social, etc.

Organizamos Colóquios no Parlamento Europeu.

Os relatórios desses trabalhos estão disponíveis neste site: http://www.ame-ema.eu/

A Aliança Maçónica Europeia pode realizar qualquer intervenção respeitando o seu objetivo, permitindo ou facilitando a realização do mesmo. A Aliança Maçónica Europeia (A.M.E.) está inscrita no Registo de Transparência da União Europeia com o nº 916946818172-34.

A Franco-Maçonaria Liberal: um pensamento singular

Existe um certo interesse em manter uma relação com a franco-maçonaria liberal porque a sua reflexão assenta em bases que estão intimamente ligadas a qualquer ação política democrática.

Que bases são essas?

A primeira coloca como axioma que o homem é responsável pelo seu destino. Esta responsabilidade é diferente de uma conceção que colocaria em axioma que o destino da humanidade está, exclusivamente, nas mãos de um Deus. Para evitar qualquer equívoco, isto não significa que os Franco-Maçons excluem a ideia de um Deus (A percentagem de Franco-Maçons que acredita na existência de um Deus é similar, até superior, ao que sucede no resto da população), mas isto significa que os Franco-Maçons consideram que o homem não deve esperar soluções aos seus problemas de uma outra fonte que de si mesmo.

Esta convicção tem como consequência um segundo fundamento que diz que os homens devem trabalhar para se aperfeiçoarem a si mesmos e a sociedade. Entende-se, evidentemente, que se trata de um investimento pelo trabalho, pela cultura, a reflexão, a ação, em tudo o que pode contribuir ao crescimento de uma humanidade mais iluminada sobre a sua própria natureza e sabemos, igualmente, que este investimento necessita de uma elevada consciência de pertença de cada um a esta humanidade, consciência que assumimos sob o nome de fraternidade.

Esta necessidade de compromisso de todos numa tentativa de aperfeiçoamento constante do homem e da sociedade não pode conhecer limites. O compromisso de todos, a exigência de democracia unida à ausência de limites, é a liberdade de consciência.

Esta exigência de liberdade de consciência a todos divulgada faz da Franco-maçonaria uma instituição contrária à igreja. Não se trata de negar o interesse da locução das religiões, trata-se de considerar que não é possível limitar uma forma de apropriação intelectual fazendo com que a palavra emanada das religiões tenha mais valor porque é dita em nome de Deus, isto é, fora do âmbito democrático. Naturalmente, ninguém tem medo de Deus e não queremos que nas observações relativas às proibições religiosas seja respondido, responde com palavra Deus, eliminando facilmente a parte humana da construção das recomendações e das proibições religiosas. No entanto, isto não implica que estas recomendações e proibições sejam privadas de valor político, mas o seu modo de construção, não democrático e sobretudo o carácter fixo, não podendo ajudar a contestar essas regras e proibições justifique que qualquer poder político cuja missão é agir sobre a evolução das sociedades seja, claramente, separado do poder religioso, que embora possa ajudar, é, frequentemente, um obstáculo, como se vê, por exemplo, na questão do direito das mulheres…

A nossa iniciativa deve ter em conta uma dimensão política essencial: apesar de um discurso direcionado para a fraternidade dos homens supostamente oriundos de um mesmo criador, a realidade histórica nem sempre aceita a representação da realidade de uma fraternidade inter-religiosa alargada a todos os seres humanos; no mínimo manifesta a recomendação de uma coexistência pacífica (que podemos apelidar de comunitarismo) excluindo, alias, os ateus em vez de uma verdadeira igualdade/fraternidade.

Para ficar claro, os Franco-Maçons são os herdeiros da filosofia iluminista, querem que os seres humanos se governem a eles próprios, possam submeter a um exame crítico as autoridades tradicionais, assim como os preceitos religiosos e o papel que desempenham na sociedade: a religião deve estar separada do poder político. Deste modo, os Franco-Maçons nunca atacam a fé num Deus porque respeitam a liberdade de cada um de a ter ou não.

As exigências de responsabilidade, de trabalho na perspetiva de uma sociedade, de uma humanidade melhor e mais iluminada, mais livre e mais igual, de compromisso, de democracia, de tolerância, de liberdade de consciência devem fazer da Franco-maçonaria, um interlocutor privilegiado das instituições cuja legitimidade e ação se justificam in fine para o povo.

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