A Grande Loja Simbólica de Portugal participou no passado dia 13 de Dezembro na Fête de la Laïcité, organizada pelo Grande Oriente de França, um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados à defesa da liberdade de consciência, da laicidade e dos valores republicanos. Este evento, que reúne anualmente obediências maçónicas, instituições culturais, académicos, artistas e representantes da sociedade civil, constitui um espaço privilegiado para refletir sobre os desafios contemporâneos que se colocam às democracias modernas. A edição deste ano destacou um tema particularmente atual e inspirador: a laicidade nas artes e na cultura, sublinhando o papel fundamental da criação artística como território de liberdade, pluralidade e emancipação humana.
A Grande Loja Simbólica de Portugal fez‑se representar pelo seu Grão‑Mestre, Amadeu Alves, e pelo Past Grão‑Mestre Pedro Rangel, cuja presença reforçou o compromisso da Obediência com os princípios da Maçonaria liberal e adogmática. A participação da delegação portuguesa simbolizou a continuidade de uma visão progressista, humanista e profundamente enraizada na defesa da liberdade de consciência, da igualdade de direitos e da fraternidade universal. Ao longo do evento, os representantes da Grande Loja Simbólica de Portugal acompanharam conferências, mesas‑redondas e intervenções dedicadas ao papel da cultura e das artes na construção de sociedades mais justas, inclusivas e democráticas.
O tema escolhido para 2025 — laicidade nas artes e na cultura — permitiu explorar a relação entre criação artística e liberdade individual, destacando que a laicidade não é apenas um princípio jurídico ou político, mas também uma condição essencial para que a cultura floresça sem dogmas, censuras ou instrumentalizações. A arte, nas suas múltiplas expressões — literatura, música, teatro, cinema, artes visuais, dança, arquitetura — constitui um espaço onde a imaginação humana se manifesta de forma plena, questionando preconceitos, desafiando estruturas de poder e abrindo caminhos para novas formas de convivência democrática. A laicidade, ao garantir a neutralidade do Estado e a liberdade de cada pessoa para acreditar ou não acreditar, cria o ambiente necessário para que a cultura se desenvolva como expressão livre e plural.
Durante o encontro, vários intervenientes sublinharam que a laicidade é um instrumento de paz social e de proteção da diversidade cultural. Num mundo marcado por tensões identitárias, extremismos e tentativas de instrumentalização religiosa ou ideológica, a laicidade afirma‑se como um princípio estruturante que assegura a igualdade entre todos os cidadãos. Ao mesmo tempo, protege o espaço público como território de liberdade, onde a arte pode desempenhar o seu papel transformador. A cultura, quando livre, torna‑se um poderoso veículo de emancipação, permitindo que indivíduos e comunidades expressem as suas identidades, memórias e aspirações sem receio de repressão ou discriminação.
A presença da Grande Loja Simbólica de Portugal na Fête de la Laïcité 2025 reforça a sua ligação histórica aos valores da laicidade, da liberdade de pensamento e da defesa dos direitos humanos. A Maçonaria liberal, da qual a Grande Loja Simbólica de Portugal é parte integrante, tem sido ao longo dos séculos um espaço de reflexão crítica, de diálogo intercultural e de promoção da dignidade humana. A participação neste evento internacional reafirma o compromisso da Obediência com a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e plural, onde a cultura e as artes desempenham um papel central na formação de cidadãos livres e conscientes.
Ao regressar deste encontro, a delegação portuguesa traz consigo novas perspetivas e inspirações para continuar a promover, em Portugal, uma cultura democrática baseada na liberdade de consciência, no respeito pela diversidade e na valorização da criação artística como expressão essencial da condição humana. A Grande Loja Simbólica de Portugal reafirma, assim, a sua missão de contribuir para o progresso moral, intelectual e social da humanidade, defendendo a laicidade como fundamento indispensável para a convivência pacífica e para o florescimento da cultura em todas as suas formas.


