Mensagem Final de Encerramento do Convent, Dezembro de 2025 (e.v.)

Meus Queridos VVMM, MMVV MMQQII:

Ao encerrarmos este Convent, reunidos sob a abóbada simbólica da Tradição que nos orienta, elevamos o nosso pensamento ao vasto Templo do Mundo — um Templo onde as colunas da justiça e da dignidade tremem perante a fome, a exclusão, a guerra e a devastação ambiental que marcam o nosso tempo.

Vivemos num mundo em que a Fome corrói o corpo humano, os Sem-Abrigo habitam as sombras das cidades, as Guerras rasgam nações e futuro, e a Globalização desmedida aprofunda fossos entre povos e destinos.

Vivemos também um tempo em que a Crise Climática ameaça a própria continuidade da Vida e em que a Transição Energética se tornou um imperativo moral, ético e civilizacional. Não é apenas uma questão técnica: é uma responsabilidade perante o Grande Arquiteto do Universo, que nos confiou a tutela da Criação e nos ordena que a preservemos para as gerações vindouras.

Vivemos igualmente sob o peso de uma Crise Económica Internacional que aprofunda desigualdades, fragiliza comunidades e ameaça a coesão social. Milhões veem o fruto do seu trabalho esvair-se, o custo da vida elevar-se e a esperança ser corrompida por incertezas que já ultrapassam fronteiras e sistemas. Esta tempestade económica global exige de nós, Maçons, uma resposta ainda mais firme, solidária e esclarecida — pois onde o desamparo cresce, aí deve erguer-se a nossa mão fraterna.

Perante tudo isto, não nos é dada a permissão do silêncio.
Não nos é concedido o privilégio da indiferença.
Não fomos iniciados para assistir — mas para agir.

Somos Maçons: o mundo espera de nós obreiros lúcidos, vigilantes e ativos.
A Luz que recebemos não é um adorno: é uma Tarefa.

Que o nosso Compasso se abra agora ao Mundo.
Que o nosso Esquadro alinhe a Sociedade com a Justiça.
Que o nosso Malhete desperte as consciências adormecidas.

E que toda a GLSP proclame com firmeza:
– que cada ser humano com fome é uma Pedra Bruta que devemos proteger;
– que cada sem-abrigo é um Irmão cujo Templo interior clama por reconstrução;
– que cada guerra é uma profanação da Obra Universal;
– que cada rio poluído, cada floresta abatida e cada vida destruída pelo caos climático é um grito que nos convoca;
– que a transição para energias limpas, justas e acessíveis é hoje parte essencial da Obra ética do Maçom e um dever inadiável perante a Humanidade.

Hoje, neste Convent, marcamos não apenas o fim de um ciclo:
marcamos a preparação para a eleição do novo Grão-Mestre, a quem caberá conduzir a nossa Obediência com sabedoria, equilíbrio e fidelidade aos nossos antigos landmarks.

Que o Irmão eleito receba de todos nós o apoio fraterno necessário para carregar o Malhete da Direção, com coragem no espírito, humildade no coração e Luz no olhar.
Que a transição de liderança se faça com harmonia, continuidade e grandeza.
Que a GLSP permaneça unida, sólida e luminosa.
Que o novo ciclo seja de expansão, elevação e serviço.

E determino, perante esta Egrégora reunida:
Que intensifiquemos a nossa ação fraterna.
Que ampliemos a nossa voz no mundo profano.
Que sejamos defensores da paz, agentes da justiça, guardiões da dignidade humana e construtores da sustentabilidade planetária.
Que ninguém saia deste Convent como entrou.

Que cada Irmão regresse ao mundo como uma Coluna viva do Templo Universal — consciente de que a sua ação é indispensável, a sua palavra necessária e a sua Luz insubstituível.

Assim o digo.
Assim o proclamo.
Assim o selamos — sob o Compasso que orienta, o Esquadro que regula e a Luz que jamais se extingue.

Que o Grande Arquiteto do Universo inspire os nossos Trabalhos e fortaleça o Templo da GLSP.

Neste Solstício de Inverno — tempo em que a Noite atinge o seu auge para que a Luz renasça — que cada Irmão encontre renovação no coração, serenidade no espírito e esperança na Obra que juntos edificamos.

Boas Festas para todos, na Luz do Grande Arquiteto do Universo.

Disse.

Amadeu Alves.
Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica de Portugal

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