COMUNICADO


Comunicado da G∴L∴S∴P∴  relativo à Ucrânia


Mais de um século e meio após a publicação de “Guerra e Paz” pelo grande escritor russo Liev Tolstoi, a guerra voltou a vencer a paz. Tal como nas guerras napoleónicas, existe hoje no conflito entre a Rússia e a Ucrânia um país invasor e um país invadido. Desde sempre, o território ucraniano tem sido objecto de grande ambição por parte da oligarquia russa. Depois da II Guerra Mundial, o território onde habita o povo ucraniano foi palco de disputa estratégica entre a URSS e as forças ocidentais, europeias e norte-americanas. Seja por motivos territoriais, políticos ou de estratégia militar, a actual Rússia liderada por um ditador déspota acabou de violar o território de um país soberano. O país que condena os separatistas no seu território do Cáucaso (Ossétia e Chechénia), é o mesmo país que agride e invade outros territórios fora dos seus limites. Infelizmente, espera-se um indesejado descalabro social e humanitário que deverá envergonhar todo o ser humano em qualquer parte do mundo, se nada for feito em contrário.

A Grande Loja Simbólica de Portugal, fortemente defensora do ser humano e dos seus direitos, liberdades e garantias, estabelece-se ao lado dos milhões de cidadãos ucranianos que se vêm privados do seu direito mais fundamental, a liberdade e a segurança. E quando tudo se questiona depois de uma década de crise financeira e posteriormente de crise pandémica, a humanidade dá mais sinais de retrocesso civilizacional e dirige-se perigosamente na direcção de ideais extremistas e ditatoriais. Também aqui a Maçonaria Universal e Grande Loja Simbólica de Portugal expressam a necessidade de decisões urgentes, sem espaço para dúvidas e hesitações.

A Grande Loja Simbólica de Portugal afirma-se, agora e sempre, defensora de uma sociedade fraterna e progressista. Por isso, solidariza-se com o povo ucraniano neste momento de grande ansiedade e sofrimento. Releva-se aqui a Declaração Universal dos Direitos do Homem, acordada em 1948 pela então União Soviética (Rússia e Ucrânia incluídas), que a palavra escrita e assinada tem valor perene, mas deve lembrar aos governantes, sobretudo a ditadores e oligarcas, que a montante de tudo está e estará sempre a dignidade humana.

“Apenas um passo além desta linha separa os vivos dos mortos. É o desconhecido, o sofrimento, a morte. O que há depois? Ninguém sabe. E todos gostariam de saber. Temos medo de atravessar, e sabemos que cedo ou tarde vamos atravessá-la”

Guerra e Paz, Leon Tolstoi,1865


Lisboa, 21 de Fevereiro de 2022

O Grão Mestre

Amadeu Alves

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